Ver o que há por trás da máscara.
O ser humano tem uma personalidade, também chamada ego, construída desde a infância para enfrentar o mundo. É uma máscara, no sentido literal: faz parte do rosto social, dos automatismos aprendidos, dos reflexos culturais. Está fragmentada em várias vozes que se contradizem: o profissional, o pai, o ambicioso, o ansioso, e muitas outras.
Por trás dessa máscara que todos usamos, existe uma instância mais profunda. Reconhece-se porque não são os pensamentos, nem as emoções, nem as atitudes. Nós a chamamos de consciência.
O trabalho da Ecologia Humana começa aqui: ver a máscara como máscara, e reconhecer o que ela esconde, desenvolvendo o observador em si. Esse observador permite tomar distância das próprias mecânicas, reações e condicionamentos.
À medida que cresce, a consciência pode retomar seu lugar de piloto interior: aquele que vê mais claramente, escolhe a direção e guia a vida com mais presença.
O mundo exterior é apenas o reflexo do mundo interior.
É a partir dessa estrutura interior fragmentada que o humano projeta seu próprio mundo. O mundo exterior é então apenas o reflexo dessa fragmentação interior. Sua equipe, sua cultura, seus resultados: tudo carrega o traço do que se passa por dentro.
Quando o humano está em paz consigo mesmo, não precisa fazer guerra ao seu redor. Quando não está, suas fraturas interiores tornam-se as fraturas da sua organização.
É por isso que nos inscrevemos no pensamento de Platão, do zen, de Sartre, de Spinoza. Antes de mudar os outros e o mundo, conhece-te a ti mesmo.